:: filhos, por quê qui-los? (3) ::
Ensinar a crescer
Por Rosely Sayão **
Uma internauta quer saber como proceder com a única filha de oito anos que sempre pede para tomar banho com a mãe. Esta acredita que a garota sente-se muito sozinha porque no prédio em que moram não há outras crianças da idade dela. Ela quer saber se é certo deixar que a filha sempre tome banho com ela ou que durma no mesmo quarto quando o marido viaja. Por último, transcrevo a frase com que ela finaliza a questão: “Sinto muita pena dessa solidão dela, por isso procuro fazer o possível para minimizá-la”.
A questão de nossa leitora, comum a muitas outras mães, me fez lembrar de um documentário sobre a natureza que mostrou o modo de vida de alguns animais. Pois bem: o animal em questão era uma leoa com três filhotes. Ela cuidou deles por um período, até que eles cresceram a ponto de poder viver por conta e risco.
Vencido o prazo, a leoa deveria seguir sozinha seu caminho e deixar para trás o três filhotes que, juntos, teriam mais chances de sobreviver. A cada vez que a mãe pegava seu rumo os três corriam atrás dela, sem vacilo algum. Algumas tentativas depois, o animal adulto obrigou os filhotes a ficarem sozinhos. Como? Rugindo contra eles quando ameaçavam ir atrás dela.
A filha de nossa leitora tem idade para dormir sozinha, tomar banho por conta própria e também para se virar frente à solidão. Vale lembrar que nessa idade a criança vai à escola e tem contato, portanto, com seus pares. Criança não precisa que adultos brinquem com ela. Só de vez em quando já está ótimo. Afinal, brincar é coisa de criança, e se hoje muitas não sabem brincar sozinhas é porque nós, adultos, não damos chances de elas aprenderem.
O que a criança precisa da parte do adulto é que este o ensine a ver a vida como ela é. E a vida é assim: nem sempre justa, com momentos bons e outros nem tanto, com mal-estares, dissabores, frustrações etc. Se não permitirmos que as crianças aprendam a criar recursos para enfrentar essas situações enquanto estamos por perto para apoiar, encorajar e acolher, elas chegarão à idade adulta sem conhecer o potencial de reação que têm. E aí, como será?
Não é bom para a criança ser mantida na infância quando pode crescer. E, aos oito anos, a criança está em pleno crescimento e já pode prescindir da presença dos pais em muitos momentos. Às vezes, é preciso fazer como a leoa fez: precipitar a entrada dos filhos na maturidade que eles já têm condições de exercer.
Por último: solidão não é algo ruim sempre. Aliás, ela é necessária para o amadurecimento e estruturação das experiências vividas.
** Publicado no blog da Rosely Sayão.
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Precisa dizer que eu concordo em gênero, número e grau?
imagined for Lia in The Sky to the 15h00
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